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domingo, 29 de abril de 2012

Bloqueou? Páre, escute e olhe!


Bloquear acontece-nos a todos!

Pode acontecer com mais ou menos frequência e os contextos do bloqueio variam de pessoa para pessoa. Há pessoas que têm mais bloqueios de raciocínio ou mesmo de desempenho no trabalho, outras sentem mais bloqueios nas relações familiares, outras em assuntos com “os seus botões”.

Então, se bloquear é comum e, tanto quanto sabemos, ninguém gosta... o que podemos fazer para desbloquear o nosso cérebro nessas alturas e retomar o nosso caminho?

PÁRE, ESCUTE E OLHE... e depois então continue!

É o que se deve fazer antes de atravessar a linha do combóio e ajuda muito a apanhar novamente o nosso combóio.

Vamos trocar a fórmula por miúdos:

PÁRE
Parar de insistir naquilo que não está a funcionar é fundamental para dissipar o bloqueio. É mais ou menos como aquele ditado que diz que não vale a pena “malhar em ferro frio”. Se a coisa não está a funcionar e se sente perto de um nível de frustração elevado, o chamado “ataque de nervos”, o mais sensato é mesmo parar. Ok, tem razão, só parar não chega...

ESCUTE
Escutar é muito mais do que ouvir! É uma das coisas mais úteis que podemos fazer por nós próprios e pela nossa saúde mental em muitas situações. Quando estamos bloqueados podemos e devemos escutar muitas coisas: escutar os outros, escutar-nos a nós, escutar o nosso corpo (coração, estômago, cabeça, músculos... o que me estão a dizer neste momento?), escutar as nossas emoções, intuições, raciocínios. Escutar o silêncio também pode ser importante!

OLHE
E por sua vez, olhar também é mais do que ver. Pode olhar de várias formas e em várias direcções. Pode olhar para o passado à procura de situações semelhantes e de como as resolveu e/ou de estratégias  que não quer repetir; pode olhar para o futuro para ver onde quer chegar. Também pode olhar para si e/ou para o bloqueio de fora, de longe, de outra perspectiva. Pode olhar para os outros, que exemplos o inspiram? Olhe para dentro, para fora, em volta, de cima, vá mudando a perspectiva do seu olhar e descubra como pode ser enriquecedor e útil!

… e depois então continue!
O que descobriu?
O que aprendeu?
O que sentiu?
O que se alterou?
O que permaneceu?

Respire fundo e vai ver que já não vai voltar à situação que parecia bloqueada e impossível de resolver, simplesmente porque ela já se alterou e você já está um passo à frente!

Vera Martins

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

10 Recomendações para as PMD - Pessoas em Mudança e Desenvolvimento

Há algumas semanas, li um artigo interessante de Francisco de Almeida no Jornal de Negócios cujo título é 10 Recomendações para as PME para 2012.

Quando o li, o meu 1º pensamento foi que, de certa forma, a vida de cada um de nós é uma empresa. Ora, nesta lógica, também podemos beneficiar destas recomendações para gerir e promover a nossa empresa pessoal.

Assim, espero que o autor do texto original fique orgulhoso por ver as suas ideias aproveitadas com o objectivo de nos ajudar a progredir na carreira de gestores da nossa vida.

Assim, partilho convosco as 10 recomendações de Francisco de Almeida para as PME, adaptadas por mim para as PMD - As Pessoas em Mudança e Desenvolvimento:

1 - Aprofundar a relação com os outros - Promovendo a proximidade, conhecendo melhor o outro e dando-se também a conhecer.

2 - Actualizar-se - É importante estarmos a par do que acontece no contexto onde estamos inseridos: saiba todas as novidades (não são as fofocas) da sua família, dos seus amigos, do seu bairro, da sua cidade, do seu País, etc. Quando as novidades forem boas, não se esqueça de comemorar!

3 - Capitalizar no crescimento das relações sociais - A nossa rede social é essencial como pilar de apoio, de afecto, de crescimento e bem-estar.

4 - Apostar na internacionalização - Há muitas formas de o fazer. Se não pudermos viajar, podemos correr mundo através da internet ou, por exemplo, aprender uma língua estrangeira. Além de ser excelente para o nosso cérebro, já é possível encontrar cursos online que são gratuitos e, portanto, acessíveis a todos.

5 - Colaborar com outras pessoas - Podemos e devemos contribuir para que outras pessoas pequenas ou grandes realizem as suas tarefas fáceis ou difíceis, os seus sonhos possíveis ou impossíveis. Dar é, também, receber.

6 - Apostar na formação - O saber não ocupa lugar e é muito útil no nosso crescimento profissional e pessoal. Lembra-se daquelas aulas de pintura ou de canto que quer fazer há muito tempo? E o curso de escrita criativa há muito adiado? E o...? E a formação em...?

7 - Procurar um mentor - Quem são as pessoas que o inspiram na sua vida? Fale com elas, pergunte-lhes como fazem aquilo que mais admira. Mostre-se disponível para aprender com elas. Na impossibilidade de lhes falar, siga os seus exemplos.

8 - Poupar capital privado - É verdade que o dinheiro se fez para gastar mas fazer algumas poupanças é sempre uma boa ideia.

9 - Planear o futuro - Sonhe, visualize aquilo que quer para si. Só podemos dirigir-nos para um objectivo quando ele está claro e visível para nós.

10 - Saber desistir - Não gostamos muito e habitualmente associamos desistência a fraqueza ou a falhanço pessoal. Mas não é sempre assim, é preciso sabedoria para escolher desistir ou desinvestir de algo que nos está a prejudicar, sejam relações, ambientes, decisões, etc.

O segredo das pessoas mais felizes é serem PMD - Pessoas em Mudança e Desenvolvimento!

Vera Martins

Com os devidos agradecimentos a Francisco de Almeida. Encontram o seu texto com 10 Recomendações para as PME para 2012 aqui

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Será rigidez ou nem por isso?

Há um aspecto que costuma, entre outros, ser um bom indicador de boa forma física: a flexibilidade. Se me mexo bem, com facilidade, consigo tolerar posições mais difíceis ou pouco usuais sem me lesionar, então o meu corpo é flexível. Caso contrário o meu corpo apresenta maior rigidez ou menor flexibilidade.

Mas então o que dizer da nossa boa forma psicológica?

Não será também importante cultivar e manter a nossa flexibilidade cognitiva e emocional?

De facto, uma boa parte do nosso bem-estar psíquico depende também da nossa flexibilidade a nível de pensamentos e raciocínios o que, consequentemente, terá efeitos sobre o nosso funcionamento emocional. Todos estes elementos em conjunto irão traduzir-se em atitudes e comportamentos mais rígidos ou mais flexíveis.

Como podemos então ser mais flexíveis?

- Dispensando o uso das palavras “sempre” e “nunca” - Lá diz o ditado que “Nem sempre nem nunca”!

- Evitando os raciocínios baseados na lei do “tudo ou nada”  ou do “preto e branco” - na maioria das situações há pontos intermédios entre o zero e o cem e outras cores entre o preto e o branco.

- Mudando o nosso discurso do “devo” e “tenho que” - o nível de exigência que pomos nestas palavras já é só por si carregado do sentido da provável falha. Porque não dizer antes “posso” ou “preciso de”?

- Reconhecendo que raras vezes podemos saber ou prever como determinada situação vai terminar - é importante mantermos a curiosidade e o optimismo sobre os resultados a esperar.

- Aceitando que mudar de ideias é absolutamente normal e saudável - uma vez que viver é uma aprendizagem constante é perfeitamente normal e legítimo ter uma ideia hoje e outra amanhã e até outra depois de amanhã sobre o mesmo assunto.

- Lembrando que os planos são apenas planos - é natural que precisem de sofrer ajustes e alterações.

- Assumindo que praticamente tudo tem vantagens e desvantagens - às vezes temos tendência a adoptar filtros para ver só os aspectos negativos ou só os aspectos positivos de uma situação. E quando se trata de desvantagens somos mesmo peritos em enumerá-las... se é para avaliar, é bom não esquecer as vantagens!

Se experimentar algumas destas alterações no seu dia-a-dia vai sentir que tudo flui melhor, poderá surpreender-se com o aumento de emoções positivas e com a melhoria da sua capacidade de adaptação às situações.

Se for aos treinos vai ver que, à semelhança da flexibilidade física, vai conseguir lidar melhor com posições difíceis sem se lesionar!

Vera Martins
www.veramartins-psicologia.com


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Como é que a crise nos vai mudar?


“Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade.”
John Kennedy (in Citador)

Tinha encontrado esta citação há uns meses e agora senti que ela vinha mesmo a calhar!

A palavra crise passou a fazer parte do nosso dia-a-dia. Passou de boato a realidade e com uma dose maior ou menor de susto vamos fazendo o nosso papel de navegadores: há que remar, manter o sentido de orientação, posicionar o leme para definir a direcção, superar os enjoos e alimentar a esperança de ver terra no horizonte!

E a verdade é que nós somos bons nesse papel, não tivéssemos nós uma tradição de descobertas além-mar de fazer inveja ao mundo inteiro! Mesmo que não saibamos e nos possamos ir esquecendo somos verdadeiramente bons a navegar em águas turbulentas.

Esta semana li um artigo no Jornal Público que, apesar de tudo, me fez sorrir e perceber que não estou enganada: nós somos mesmo um povo intrinsecamente bom, cheio de qualidades e há quem anteveja reviravoltas simpáticas nos nossos ensaios para lidar com a crise económica.

O artigo de que falo é da jornalista Maria João Lopes e foi publicado na edição de 22 de Janeiro do referido jornal e o seu título é “Em 2012 vamos conhecer o vizinho, cuidar da horta e integrar uma associação”.

Para elaborar este artigo a jornalista falou com alguns investigadores, escritores, sociólogos e historiadores para perceber as alterações que poderão registar-se no nosso comportamento em resposta à crise económica que atravessamos.

E o resultado é, no mínimo, curioso!

Não vou reproduzir todo o artigo, mas gostava de destacar algumas das ideias e, permitam-me ser tendenciosa,  vou referir as que mais gostei:

- «O escritor Mário Zambujal acredita que as pessoas vão "visitar-se mais": "Vão juntar-se nas casas umas das outras para uma festinha."»

- «Maria Filomena Mendes realça também o recurso à bicicleta ou a andar a pé, até porque muita gente abandonará os ginásios.»

- «O presidente da Cáritas Diocesana do Porto, Barros Marques, acredita que estes comportamentos fomentarão "um estilo de vida mais comunitário e menos individualista: "Vamos criar laços de alguma economia doméstica, familiar, fazer reuniões com amigos", partilhando comida. "E regressarão as grandes tertúlias e o associativismo, como espaços de debate, de troca de impressões, de esclarecimento, nos quais as pessoas sintam que estão a remar juntas." »

- «"Não vamos poder ficar presos às funções que sempre tivemos, vamos ter de pegar em projectos diferentes." As alterações também se notarão na iniciativa das pessoas: "Vão criar alternativas, o seu próprio emprego e fazerem aquilo que sabem e gostammesmo ganhando menos e trabalhando mais." » - Palavras de Dalila Pinto Almeida, autora do livro Mudar de Vida.

- «Outro aspecto que antevê é "o surgimento de uma economia informal: sobretudo os desempregados aproveitarão as habilidades para, por exemplo, fazer carteiras em tecido para vender através do Facebook, na sua casa ou na de amigos". Aparecerão "negócios pequenos, de nicho": "Vai fomentar-se a criatividade", defende» - A mesma autora.

- «O humorista Nilton prevê um bom ano para os seus espectáculos: "As pessoas vão querer rir-se mais. O humor é uma arma contra a crise"»

- «Mas há quem anteveja outras soluções como o voluntariado: "Podemos ver professores reformados a dispor do tempo para cuidar de crianças num bairro, porque os pais deixaram de ter dinheiro para o ATL", defende Maria Filomena Mendes. Também o sociólogo Elísio Estanque considera que o "humanismo e a solidariedade podem ser mais visíveis". »

- «(...) vamos chegar a um ponto de nos voltarmos para coisas que não estão à venda nos shoppings , como ver nascer o sol na Arrábida", brinca.» - Palavras ainda de Elísio Estanque.

- «Elísio Estanque acredita que as hortas vão regressar, mesmo nas cidades: "As pessoas com quintal, com pequenos talhões de terra, poderão usufruir dessa actividade não só para responder a necessidades materiais, mas também como forma lúdica de ocupação do tempo."»

Então, se for verdade que vamos ser mais humanos, afectuosos, criativos, altruistas,  ecológicos e ainda vamos manter o bom humor... somos ou não somos muito bons???

A crise económica é bem diferente da crise de valores e estes, ao que parece, vamos conseguindo mantê-los de pé!

Vera Martins

Referências:http://www.publico.pt/Sociedade/em-2012-vamos-conhecer-o-vizinho-cuidar-da-horta-e-integrar-uma-associacao-1530217?p=1

http://pensador.uol.com.br/significado_da_palavra_crise/

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ano Novo - O Lobo Frontal também pode ir ao ginásio!

Não sou particularmente apreciadora desta quadra festiva em si, embora adore bolo-rei e outras coisas boas que só se comem no Natal mas terminado o Natal, acabo sempre por ficar com um sentimento de esperança e alegria...

É que parece que o Natal e o Ano Novo vêm fechar um ciclo e, portanto, nesta altura podemos ter a esperança de que ao fechar um ciclo  vamos abrir outro. Acabo por sentir tudo como uma fase de renovação, como se ficasse pronta para nascer de novo!

Esta ideia de renovação chega logo com o Solstício de Inverno pois a seguir a ele começam novamente os dias a aumentar. Ou seja, chegada a maior noite do ano, começamos a caminhar outra vez para dias com mais horas de luz solar. Só este pormenor faz-me logo sentir que a Natureza está a contribuir para os nosso desejos de mudança.

Parece que nestes dias entre o Natal e o Ano Novo andamos  a incubar as mudanças que vamos querer fazer. Como se fosse uma semana para inspirar fundo, fundo, muito, muito ar para depois no Ano Novo estarmos cheios de fôlego para novos projectos, novos amores, novas amizades, novas conquistas e realizações!

Quem não anda na azáfama mental de fazer projectos? O que quero mudar? O que vou fazer de diferente?

Há até quem escreva os seus planos e decisões para o novo ano, sejam muitos ou poucos. Quando ficam escritos é como se se tornassem oficiais e, se não escapam do papel também já não fugimos de os colocar em prática.

E é mesmo isso, se tivesse que escolher palavras para esta época do ano, estas seriam: esperança, renovação, projectos e audácia!

Em geral, são dias em que nos permitimos sentir audazes, empreendedores, cheios de energia, de motivação e de imaginação. Começamos por fazer um balanço do ano e, inevitavelmente, acabamos por nos dedicar mais à planificação do próximo ano do que à avaliação deste. E ainda bem que assim é!

E mesmo quando nos dizem: “Não adianta fazer planos de ano novo porque dos planos que fiz o ano passado não pus nada em prática”, isso não nos interessa lá muito, agora é “outro” ano, já não é do ano passado que se trata.

Não é por acaso que o que nos distingue dos outros animais é o facto de sermos dotados de lobo frontal. Esta fantástica parte que a Natureza resolveu acrescentar ao nosso cérebro torna-nos capazes de nos projectarmos no futuro e fazer planos. Este sim, foi um verdadeiro presente, um dos melhores.

Esta dádiva chamada capacidade de se projectar no futuro permite ao ser humano desenvolver-se no sentido de fazer mais e melhor da próxima vez, usando o que aprendeu para conceber melhores estratégias para os seus projectos futuros.

A proximidade do Ano Novo é uma época por excelência para exercitarmos o nosso lobo frontal, o cérebro agradece e de certeza que o Mundo também.

Por isso, nestes dias que restam, aproveite para por o lobo frontal no ginásio e só o deixe sair de lá quando já estiver bem musculado!

Desejo-lhe um fim de ano com muitos e bons projectos e um novo ano cheio de realizações!

Vera Martins

domingo, 4 de dezembro de 2011

O que poderia ser aquela nuvem?

Há dias estive a contemplar as nuvens. Num daqueles dias em que não choveu mas elas lá andavam pelo céu: fofas, altas e branquinhas.

E lembrei-me de quando era miúda e ficava a adivinhar princesas, castelos, bailarinas, pássaros e árvores nas nuvens que pairavam acima do meu mundo de criança. Um mundo ainda sem grandes preocupações, sem crises, nem política, nem doenças graves, nem outros males e aflições que povoam a vida dos adultos.

E estão os leitores a pensar, e muito bem, que eu não era lá muito original porque, afinal de contas, brincar com as nuvens é entretém habitual de todas as crianças. E, de facto, eu não era muito original, era como as outras crianças que são dotadas de enorme criatividade para brincar, não só com as nuvens mas também com as suas percepções dos objectos e do mundo em geral.

Quando somos crianças uma garrafa pode ser um carro, uma pessoa, um comboio, um avião, servir de apito, de bola, de rolo da massa... E assim vamos vivendo e aprendendo a usar a imaginação e a percepção a nosso favor.

Mas depois há uma fase em que isto começa a mudar... Começamos a perder este à vontade de fazer com as nossas coisas e a nossa vida o que queremos, começamos a usar menos a imaginação a nosso favor e uma nuvem passa a ser só uma nuvem, uma garrafa de água passar a ser só uma garrafa de água...

Nesta nossa nova vida de seres adultos, sérios e preocupados passamos a viver muito mais no concreto, as nossas percepções tendem a ficar mais rígidas e damos muito menos espaço à imaginação.

Bem, e é assim que a crise passa a ser apenas a crise, os problemas de trabalho são apenas problemas, o desemprego é só o desemprego, etc, etc...

Para onde terá ido a nossa capacidade de aprender com o que não temos, reinventar o que temos e criar o que nos faz falta?

Quando temos problemas para resolver costumamos dizer que andamos com nuvens negras a pairar por cima da cabeça. Será que não podemos resgatar as qualidades magníficas da infância e reinterpretar estas nuvens negras?

Os problemas serão só problemas? Podem ser uma oportunidade para algo de novo e diferente? O que posso aprender? Se preciso de algo, o que posso criar para passar a ter o que me falta ou qualquer coisa que se aproxime?

Se eu olhar para a minha nuvem com a mente aberta de uma criança e permitir-me deixar que a minha percepção seja plástica e moldável em vez de ser rígida e fechada, o que poderei obter?

A nossa infância é o melhor estágio que fazemos para desempenharmos melhor o nosso papel de adultos. Mas temos tendência a esquecer-nos de como éramos tão capazes e audazes, do muito que fizemos e da pessoa tão competente que já éramos nessa altura. É certo que mudamos, crescemos, acumulamos muitas experiências que moldam a nossa personalidade, mas há competências que não se perdem... é como andar de bicicleta! Treinámos na infância, muitos de nós deixaram de o fazer, mas se tentarmos agora conseguimos!

Estou convicta de que seremos adultos mais felizes e saudáveis se relembrarmos as competências básicas deste treino de vida chamado infância. Podemos voltar a usar a nosso favor todas as competências que tão bem usámos e treinámos no passado: a imaginação, a criatividade, o sorriso, a flexibilidade para percepcionar o mundo e os outros, a disponibilidade para aprender e a liberdade para crescer.

Sim, sim, é que os adultos também crescem!

Vera Martins

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ser e estar não são duas faces da mesma moeda


A linguagem que utilizamos é muito importante e mais poderosa do que pensamos. O significado que atribuímos às nossas emoções e pensamentos condiciona em grande medida as nossas relações com os outros e a forma como olhamos para nós e para o futuro.

É tão comum dizermos: “Sou um desastre”; “Sou mesmo azarado”; “Sou tão burra”, etc... sabemos bem as coisas que dizemos de nós próprios...

E fazemos isso também com os outros: “O meu filho é tão distraído”; “Aquele funcionário é tão incompetente”; “És mesmo parvo” e outros tantos exemplos sem fim.

Porque havemos de impor a nós e aos outros sentenças tão duras e peremptórias, como se algo na vida fosse tão permanente e imutável?

Se experimentarmos fazer uma coisa tão simples como substituir o verbo “ser” pelo verbo “estar” vamos perceber que estar desastrado um dia não faz de ninguém um desastre para sempre. O estar infeliz não tem que condicionar a personalidade de alguém toda a vida. O facto de uma pessoa estar mais distraída num momento não faz dessa pessoa um habitante eterno de outro planeta.... e afinal de contas, todos temos direito a estar (e não usei ser!) extra-terrestre por um dia.

Já reparou então no poder do verbo “ser”? E como a existência fica mais fácil e mais flexível com o verbo “estar”? E já agora, fica também mais realista, porque tudo muda!

E, se pensarmos bem, para os adjectivos positivos já não fazemos bem a mesma coisa... o mais comum é dizermos “”Estás muito bonita” e não “És muito bonita” ou “Estás muito feliz” e não “És muito feliz”.

A verdade é que esta distinção não se verifica em todas as línguas, por exemplo em Inglês e em Francês o verbo é o mesmo para expressar “ser” e “estar” (Em Inglês o verbo “to be”, em Francês o verbo “Être”).

Fico a pensar onde teremos aprendido que “somos” quando o atributo é negativo e  (só) “estamos” quando o atributo é positivo...

Diz o ditado que “o que é bom acaba depressa” e eu gostaria de lembrar do outro ditado que também diz “Não há mal que sempre dure...” (...”nem bem que nunca se acabe” - mas esta parte agora não dá muito jeito! Apaguem isto só por um bocadinho, ok?).

Sendo assim, a minha proposta é fazermos todos uma grande desarrumação na Língua Portuguesa e invertermos isto tudo para sermos todos mais felizes e não estarmos zangados com a vida!


Vera Martins

domingo, 18 de setembro de 2011

Alguns tópicos sobre a "mudança"

A mudança psicológica e/ou comportamental é um conceito abrangente e que desperta grande interesse na generalidade das pessoas. É muito frequente as pessoas perguntarem: “É possível mudar?”; “Como se muda?”


Neste pequeno artigo, que não pretende ser exaustivo, faço algumas notas sobre o processo de mudança, assim em jeito de “aperitivo” para um assunto que daria “pano para mangas”.


“Vivendo e aprendendo” - A plasticidade humana


A Psicologia e as Neurociências têm mostrado que o ser humano é dotado de plasticidade, ou seja, o ser humano é “plástico”. Isto significa que tem a capacidade de mudar E, ao contrário do que se pensava, os estudos mais recentes provaram que esta plasticidade se mantém ao longo da vida e não diminui com a idade.


“Em terra do bom viver, faz como vires fazer” - Flexibilidade e adaptação


O ser humano tem uma capacidade espantosa para se adaptar aos contextos em que se encontra graças à sua flexibilidade. A adaptação implica um maior ou menor grau de mudança dependendo do contexto em que se dá e da pessoa que está a fazer o esforço (também maior ou menor) de adaptação. Isto tem reflexos nas relações com os outros, na integração cultural, na adaptação ao clima, etc.


“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” - Mudança e desenvolvimento


Ao longo do nosso desenvolvimento, à medida que a vida avança, os objectivos que cada pessoa traça para si própria, as motivações, os sonhos, as necessidades, vão mudando também. Aos 30 anos não desejamos as mesmas coisas que desejávamos aos 15 anos. Até o nosso grau de exigência muda, aumenta para umas coisas, diminui para outras.


Mahoney num livro sobre processos de mudança fala em “processos dinâmicos de desenvolvimento que proporcionam o ‘equilíbrio em movimento de uma vida em progresso” (Pág.32).


Ou seja, o percurso humano é dinâmico e diversificado, o que nos conduz ao próximo tópico.


“Cada cabeça sua sentença” - As diferenças individuais


Embora sejam apontados processos gerais de mudança psicológica, as particularidades de cada pessoa, as experiências únicas de cada um e todo um conjunto de especificidades, irão necessariamente ditar necessidades e processos de mudança diferentes que resultam de percursos de desenvolvimento também  singulares e muito diversificados.


É importante referir que o desejo de mudança pode verificar-se a nível profissional, escolar, de hábitos, de relações, etc ou pode ser um desejo mais geral e abstracto, numa linha mais existencial, mais relacionado com a própria identidade e personalidade.


Quando uma pessoa escolhe a psicoterapia para facilitar o seu processo de mudança, seja qual for o objectivo, todas as suas particularidades, motivações, experiências pessoais e relacionais devem ser respeitadas e tidas em conta.


Mas, a verdade “verdadeira” e cientificamente comprovada é que mudar é possível. Se deseja mudar aspectos da sua vida é só por mãos à obra. Quer decida recorrer à ajuda de um profissional, de amigos, familiares ou livros de auto-ajuda, o mais importante é ouvir o desejo de mudança que pode andar aí a sussurrar (ou já a gritar!) dentro de si.


Atreva-se!



Vera Martins


Referência: Michael J. Mahoney - Processos Humanos de Mudança. As bases científicas da Psicoterapia. Porto Alegre, ArtMed, 1998. (Tradução Fábio Appolinário).